Etnomatemática e Corpo-Território
a feitura de cestarias de uma artesã Avá Guarani como fonte historiográfica
Palavras-chave:
Corpo-Território, Saberes Indígenas, Cestaria Avá Guarani, ReterritorializaçãoResumo
Este artigo tem como objetivo descrever o processo de retirar e limpar a fibra da bananeira, prática essencial na produção de cestarias, realizada por uma artesã Avá Guarani no território Ocoy. A pesquisa adota uma abordagem etnográfica, com a metodologia “PesquisarCOM”, que envolve a colaboração ativa da artesã e a valorização de seus saberes ancestrais. O trabalho busca compreender como os conhecimentos etnomatemáticos, imbricados nas práticas cotidianas e no corpo-território da artesã, são transmitidos e reterritorializados. A pesquisa também se apoia nos conceitos de Etnomatemática, Corpo-Território e Corpo que Reterritorializa, para refletir sobre as interações entre o corpo, o território e os saberes indígenas. Durante o processo de retirada da fibra, observou-se que os saberes matemáticos presentes nas ações da artesã não se limitam a abstrações numéricas, mas são parte de um conhecimento profundo e integrado à cultura e à natureza do povo Guarani. Como resultado, o trabalho não apenas descreve a prática artesanal, mas também reafirma a importância da continuidade e resistência dos saberes indígenas, evidenciando sua relação com a luta pela preservação do território e identidade. Conclui-se que o corpo-território, ao reterritorializar espaços, mantém vivos os saberes ancestrais e reforça a conexão entre os povos indígenas e suas terras.
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