História da Matemática para o bem viver: reflexões por vias da etnomatemática
Palavras-chave:
História da Matemática, Etnomatemática, Guarani, Tupinikim, Educação escolarResumo
O artigo expõe resultados de experiências de pesquisa nos entrelaçamentos de etnomatemática e história da matemática, organizados no texto de forma a construir reflexões para a educação escolar acerca da natureza e do papel nas sociedades do que se costuma chamar de matemática. Os dados foram construídos no contexto de investigações de cunho etnográfico e são interpretados sob uma perspectiva da etnomatemática enquanto programa de pesquisa em história e filosofia da matemática com implicações pedagógicas, para a qual se recorre a trabalhos de Ubiratan D’Ambrosio, Alan Bishop e Manoel de Campos Almeida. O bem viver, como fio condutor para as reflexões propostas, se fundamenta na obra homônima de Alberto Acosta tanto quanto em experiências da autora junto a povos tradicionais presentes no norte do Espírito Santo — Tupinikim, Guarani e Quilombola —, reforçadas pelas análises de Ailton Krenak sobre as atuais formas de viver com o planeta. Entre os resultados, o leitor é apresentado a possibilidades distintas de práticas pedagógicas de matemática nos entrelaçamentos com história e etnomatemática, concluindo-se que a matemática é um dentre os variados sistemas de conhecimento humano que dá conta da busca por sobrevivência e transcendência. No campo específico da história da matemática, reforça-se que pesquisas e práticas dessa natureza no universo escolar são potentes na construção de outros mundos, como se almeja com o bem viver, nos quais haja pontes entre conhecimentos ancestrais e modernos, inclusive em harmonia com os outros seres do cosmos, com o passado e com o futuro.
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